A cultura e os significados intrísecos nas joias do deserto

A discussão sobre o significado da beleza é presente no mundo da moda nos mais diversos tópicos, seja com relação ao corpo das modelos, a coleção ou até mesmo a confiança que alguma pessoa possui quando usa uma determinada peça de roupa. Essa visão “ocidental” do que é belo acaba muitas vezes dando a impressão de futilidade, pois há somente o apelo estético e passageiro, que logo é substituída por um novo conceito de beleza.

Indo contra a maré, a exposição Joias do Deserto revela que a beleza puramente estética não é suficiente para criar um adorno, pois o valor de uma joia está no seu significado intrínseco, com sentido religioso, político, histórico e social de cada povo que a usa. Os adornos abrangem as regiões do Deserto do Saara, compreendendo as regiões do Marrocos, Argélia, Mali Níger, Tunísia, Líbia e Egito (até o Sinai, chegando à Palestina); o Deserto da Arábia, Arábia Saudita, Iêmen, Sultanato de Omã e Síria; o Deserto da Ásia Central, Uzbequistão, Turcomenistão e Kazaquistão (passando pelo Irã e chegando ao Afeganistão); o Deserto da Índia, Índia (Rajastão e Gujarat) e Paquistão; e o Deserto Tibetano, Tibete (território autônomo da China) e Ladakh (região divida entre a Índia, Paquistão e China) e o mais interessante é que cada acessório parece contar uma história, e nos faz refletir -e discutir- o real sentido da beleza. As peças são confeccionadas artesanalmente, utilizando tecidos, couros, pedras e metais em prata e ouro, revelando uma riqueza de detalhes e tradições que são passadas de geração a geração.

Exposição Joias do Deserto, da historiadora Thereza Collor

Adorno peitoral do Deserto do Himalaia


Exposição da historiadora Thereza Collor, Joias do Deserto

Colar do Deserto de Thar


Exposição Joias do Deserto, da historiadora Thereza Collor

Tornozeleira do Deserto de Thar


Exposição da historiadora Thereza Collor, Joias do Deserto

Adorno de pescoço do Tibet


A moda requer uma rapidez nas informações e tendências, para gerar interesse do consumidor e girar capital, mas é sempre interessante quando um estilista traz à sua coleção elementos históricos e culturais de países tão diferentes dos ocidentais e reconhece o valor que esses povos dão aos detalhes e aos significados. Buscar referências, pesquisar diferentes etnias e mais importante, estar aberto ao que é diferente do que conhece talvez seja interessante para os profissionais e estudantes de moda, pois tira um pouco da futilidade que muitos agregam a essa carreira.

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