A moda plus size quebrando paradigmas e afirmando a beleza da mulher GG

No post anterior sobre as proporções do corpo, entendemos a importância de conhecer e identificar os seus aspectos positivos e como valorizá-los através da modelagem, das cores e das estampas. Não é novidade que os catálogos de coleções, a televisão e as mídias sociais muitas vezes nos impõe um padrão de beleza voltado para o corpo magro e alto exibindo diferentes dietas e exercícios para perda de peso, debochando de atrizes e cantoras que engordaram e mostrando fotos de celebridades “em forma” como inspiração para as espectadoras seguirem seus exemplos.

Reportagem sobre as Angels da Victoria`s Secret

Essa busca e desejo pelo corpo magro acaba sendo uma limitação para as pessoas acima do peso na compra de roupas, seja pela falta de numeração adequada ao biotipo ou a escassez de informação sobre combinação de cores, estampas e a modelagem. Há revistas e blogs que realizam reportagens e produções voltados para esse público mas ainda é muito pouco se comparado a grande demanda de notícias relacionadas às pessoas magras.

Felizmente há marcas e estilistas especializados em modelagem acima do tamanho 46 que oferecem roupas de qualidade, conforto e que quebram a antiga regrinha que a mulher acima do peso só podia usar roupas escuras. A gradual expansão desse mercado favoreceu o aparecimento de modelos plus size e a grande referência desse nicho é a brasileira Fluvia Lacerda considerada a Gisele Bündchen do plus size, descoberta por uma editora de moda em um ônibus de Manhattan, tornando-se destaque no mundo GG  e segundo a modelo, o foco de seu trabalho é proporcionar para as mulheres uma reeducação visual no intuito de inspirá-las na escolha das peças e das cores.

Modelo plus size Fluvia Lacerda

Para valorizar o corpo da mulher GG deve-se prestar atenção ao colo com decotes em V que deixam o pescoço mais alongado, valorizar a cintura com cintos e casacos que afunilem essa região do corpo, dar preferência para as calças retas e saias na altura do joelho pois deixam as pernas mais longilíneas e as estampas devem ser discretas nas partes que desejar disfarçar, como os quadris.

 

Valorizar o corpo que tem independente das imposições da mídia é uma nova afirmação do que é realmente a beleza da mulher. Antes de procurar os defeitos, destaque o que tem de mais bonito no corpo e siga confiante com a auto estima nas alturas!

A evolução da arte burlesca até a modernidade

Arte das camadas populares entre os séculos XVII e XIX que misturava o cômico e o satírico com a sensualidade, o teatro burlesco visava trazer o exagero, o espanto e o humor misturados com cenas eróticas, revelando temas comuns da sociedade como o ciúme, o adultério e a falsa moral principalmente das elites que eram sempre o foco principal a ser zombado nas apresentações.

Poster de uma peça de teatro burlesco

Poster de uma peça de teatro burlesco

Foto de uma dançarina burlesca

No início e na metade do século XX, o burlesco funcionou como uma fuga dos acontecimentos ruins das épocas como as guerras e problemas os econômicos, levando para os homens das classes operárias e para os soldados um momento de alegria com imagens de mulheres seminuas, misturando inocência e erotismo em posters pendurados nas paredes e nos armários, surgindo dessa prática o termo pin up girls. 

Parede do alojamento de um soldado com poster de pin ups

Ilustração de uma pin up

Ilustração de uma pin up

Essas mulheres tiveram o seu auge principalmente nas décadas de 40 e 50, com imagens de atrizes de Hollywood com corpos cheios de curvas e sensualidade sempre com um pouco de inocência, seja nos atos ou nas expressões. A modelo Bettie Page é até hoje um ícone para as pin ups atuais, se inspirando principalmente nos seus cabelos negros com a franja acima das sobrancelhas.

Marilyn Monroe

Bettie Page

No início dos anos 90, Dita Von Teese reascendeu a performance burlesca com apresentações e fotos relembrando o erotismo e a fantasia por trás do “mostra e não mostra”, comfigurinos cheios de penas, strass e glitter, trazendo em seus shows um pouco de perversão e obscenidade sempre com sofisticação e nostalgia de uma época onde os cabarés e os teatros eram o auge do entretenimento.

Capa do livro “Burlesque and the art of Teese”, com Dita Von Teese na capa

Famosa performance de Dita Von Teese na taça de martíni

No Brasil o cenário burlesco está sendo cada vez mais reconhecido e há dançarinas burlescas de grande destaque como a Sweetie Bird e a Fascinatrix que fazem dessa arte um estilo de vida e que apesar de não poderem viver apenas das apresentações, conseguem enxergar o burlesco em todo lugar através das cores, das foras e dos adereços que encontram nas ruas.

Sweetie Bird

Fascinatrix

Para essas mulheres, a sensualidade e o erótico vêm da fantasia e do lúdico através das poses e performances que encantam os seu espectadores e faz essa arte continuar existindo mesmo na época onde a internet, o cinema e a televisão reinam e deixam pouco espaço para o teatro.

Repensando a moda com atitudes sustentáveis

Diante de problemas ambientais como a escassez de recursos naturais, a extinção de animais silvestres, a poluição e a grande produção de dejetos, a sustentabilidade tornou-se o tema central de diversas discussões no design, na arquitetura, na produção de alimentos, nas indústrias e na moda. Entende-se por sustentabilidade a ação de discutir e criar produtos e serviços com pouco impacto ambiental e de qualidade, envolvendo-se em todo o ciclo de vida do produto envolvendo a sua criação, a distribuição, o uso e o descarte. O tipo de serviço, o conforto e a satisfação do uso também é analisado para avaliar se um produto ou serviço é melhor do que seus concorrentes em termos ambientais, levando o cliente a refletir sobre a sua própria forma de consumo.

Na produção de vestuário há estudos e projetos que buscam encontrar maneiras de utilizar recursos que agridam menos o meio ambiente, como os corantes que demoram para desbotar, os tecidos orgânicos como o algodão, a reutilização da água para lavagem dos tecidos e a utilização de materiais recicláveis como as garrafas PET. A preocupação das indústrias de fibras, tecidos e vestuário está em diminuir a agressão ao meio ambiente, no intuito de ajudar a preservar os solos e os rios que acabam sofrendo com a erosão e a poluição.

Os corantes naturais evitam a utilização de muitos produtos químicos no tingimento das roupas

A plantação de algodão orgânico não utiliza agrotóxicos e agride menos o solo

A reciclagem de garrafas PET para a fabricação de tecidos ajuda a diminuir a quantidade de lixo nas cidades

O consumidor também pode colaborar e ter atitudes mais sustentáveis através da conscientização sobre o consumo individual e de como ele afeta o meio em que vive. Garantir a qualidade da roupa através da higienização, da maneira como se guarda no armário e da manutenção favorece a durabilidade e qualidade da peça, permitindo usá-la por mais tempo sem a necessidade de comprar mais roupas e acabar tendo um “estoque” em casa. Outra atitude que já é comum em outros países e já foi citado no post anterior é comprar ou trocar roupas em brechós ou entre um grupo de amigas, possibilitando gastar menos e ainda sim conseguir roupas bonitas e de qualidade. Para quem é criativo, pode-se reinventar looks combinando as roupas que já tem no armário, evitando o consumo exagerado e se divertindo nas variações que pode criar todos os dias.

Looks repetidos de Kate Middleton

Ter consciência ecológica é pensar no agora e no futuro, com medidas que nos possibilite usufruir dos recursos naturais que já temos e pensando em maneiras de preservá-los para as gerações seguintes.

Antes eram desajeitados, agora são cool: os geeks como parte da moda atual

Os filmes de “Sessão da Tarde” costumam mostrar comédias adolescentes em que há na escola americana dois grupos bem específicos e contrastantes entre si: os alunos populares, com uniformes de futebol americano ou basquete, bonitos e geralmente ricos e os alunos nerds, usando óculos “fundo de garrafa”, com espinhas no rosto, usando calças de cós alto e camiseta pólo. Os nerds eram humilhados pelos populares, sendo trancados em armários, sofrendo agressões físicas e verbais, mas por serem tímidos e geralmente mais fracos não se defendiam.

Essa visão de loser ficou marcada principalmente nas décadas de 80 e 90 com filmes como Namorada de aluguel Te pego lá fora, porém há aproximadamente 20 anos a visão sobre esses adolescentes desajustados começou a mudar. Garotos como Steve Jobs e Bill Gates estavam se apresentando ao mundo com ideias inovadoras e sem medo de ir contra a corrente de uma sociedade cheia de esteriótipos e superficialismo, unido a tecnologia com a comunicação e o design no intuito de facilitar a vida das pessoas e diminuir a distância entre elas.

Atualmente a palavra nerd foi substituída pelo termo geek, que diz respeito à pessoas apaixonadas por tecnologia, usuários assíduos das mídias sociais com o objetivo de trocar informações e muitos buscam ter uma fonte de renda através de startups, tendo sempre em mente a inovação e a criação de recursos que promova a agilidade no cotidiano. Conhecida como Geração Y, esses jovens buscam ser bem sucedidos não só financeiramente mas também na vida pessoal, no qual o trabalho seja também uma diversão e esse comportamento é bem representado pela frase “all work and all play“.

Na moda, os geeks ganharam espaço com roupas ao mesmo tempo certinhas e despojadas, com cardigãs, camisetas com estampas de humor inteligente, tênis e sapato oxford, camisa xadrez e óculos de armação grossa. De nerds passaram a serem notados como pessoas inteligentes e cult, ganhando notoriedade nas revistas de moda e nos seriados como The big bang theory, The Hard Times of RJ Berger e Greek, cujo foco está nos jovens que gostam de tecnologia e possuem uma vestimenta específica.

O mais engraçado é que antes motivo de piada, hoje esses garotos e garotas passaram a ser interessantes e arrancam suspiros da galera considerada “popular”, provando que a inteligência pode sim estar aliada à aparência e que o nerd pode ser cool.

A expressão artística do estilista através do desenho de croquis

Os croquis representam a identidade artística de um estilista, a divulgação do conceito da marca e do tema da coleção. A inspiração é passada para o papel esboçada através de riscos rápidos para que a ideia não se perca e alguns apresentam anotações dos detalhes e da modelagem da roupa. Os desenhos são tão interessantes que há livros como 100 Years of Fashion Illustration que contém esboços e croquis de estilistas, que servem de inspiração para quem gosta de moda e de desenhar. É a partir dos desenhos que as ideias são analisadas para então iniciar a construção de uma peça piloto.

Croquis do estilista Yves Saint Laurent inspirados na Rússia e na China

Croqui do estilista Karl Lagerfeld para a loja de departamentos Macy`s

Os croquis são ótimas formas de expressar a criatividade e ilustrar as ideias, porém deve-se tomar cuidado quando for apresentar para o modelista, principalmente de a anatomia do corpo estiver alongada. Deve-se estar atento a esses detalhes, pois na hora de passar o desenho para a peça piloto pode haver problemas com a modelagem e com a quantidade de tecido a ser usado já que as proporções da anatomia do modelo está exagerada com pernas muito alongadas, cintura fina e tronco curto. A criação de vestuário precisa contar com um bom diálogo entre o estilista e o modelista, sendo importante o desenho à mão mas também a realização de uma ficha técnica que contenha a peça vetorizada e com medidas proporcionais para que não haja erros na produção.

Modelo e croqui da marca Versace

O desenho é uma das características que diferencia o estilista e deve ser valorizado com formas, cores e texturas que inspirem as pessoas e as façam desejar aquela roupa da coleção. Mais do que criar vestimenta, criam o sonho e a realização do consumidor de fazer parte da marca.

Eu não desenho roupas, eu desenho sonhos! – Ralph Lauren

Entendendo as proporções do corpo para escolher as roupas que valorizam mais a mulher

Nas mídias sociais e na moda é comum adotarmos ídolos que nos atraem não só pelo seu talento mas principalmente pela sua beleza física, a ponto de essas celebridades levarem consigo uma legião de fãs que não conseguem explicar por que amam tanto aquele cantor ou aquela atriz, só sabem que os acham perfeitos e belos. O fascínio e consequentemente a busca por essa beleza está ligado a um ideal de proporção das formas do rosto e do corpo, que faz com que o ser humano se sinta atraído pelo equilíbrio apresentado por aquele considerado belo. O equilíbrio mostra-se pela união de diferentes partes de um todo, transformando em uma única harmonia, como se cada órgão interagisse com o outro, analisado através do espaçamento entre os olhos, o formato do nariz, a distância entre o nariz e a boca, a curvatura e espessura das sobrancelhas e o tamanho das orelhas.

Observar e conhecer o formato do próprio corpo auxilia na escolha de roupas que podem valorizar e destacar os aspectos positivos dele, disfarçando os pontos negativos e proporcionando um corpo mais harmônico e atraente. A grande mistura de povos no Brasil fornece uma variedade de formas e curvas da mulher brasileira e para cada uma há dicas de como valorizar as silhueta e elevar a auto-estima.

As mulheres que possuem os ombros, os quadris e a cintura de mesma medida e poucas curvas possuem o corpo considerado “Retângulo”. Usar cintos marcando a área da cintura dá a ilusão de curvas e para aquelas que desejam disfarçar o corpo reto uma alternativa é usar blusas de tecido leve e fluido. A saia evasê e as calças pantalona valorizam os quadris e caso queira valorizar o colo uma boa opção é usar decotes em V.

Corpo Retângulo

Para as mulheres de corpo “Oval”, no qual a cintura é maior do que os quadris e os ombros, o melhor é evitar tecidos volumosos ou colantes e saias rodadas pois aumentam ainda mais o formato arredondado do corpo. Dê preferência para blazers e casacos que afunilem a cintura, calças de boca reta que alonguem as pernas e saias ou vestidos na altura dos joelhos.

Corpo Oval

O corpo “Ampulheta” diz respeito a mulheres que possuem os ombros e os quadris de mesma medida e a cintura mais fina, dando a visão de curvas suaves e bonitas. Usar calças retas ajudam a alongar as pernas e deixar a silhueta elegante, evitando portanto as calças afuniladas que causam  a impressão inversa, engrossando e encurtando as pernas. Se quiser usar  casacos, aposte nos cintos para deixar a cintura marcada e ficar com uma curva suave e elegante.

Corpo Ampulheta

O corpo de curvas acentuadas, de cintura fina e ombros menores que os quadris é conhecido como “Pera”. Para equilibrar a silhueta é importante atrair o foco para os ombros com blusas estampadas ou com cores chamativas. Para manter o corpo esguio, use cintos e desvie o foco dos quadris com calças retas e escuras, sem muitos detalhes.

Corpo Pera

A mulher de ombros maiores que os quadris tem o corpo considerado Triângulo invertido. Para tirar a atenção dos ombros, use peças maleáveis e decotes profundos, voltando a atenção para os quadris com calças estampadas ou com detalhes chamativos. As mulheres de corpo triângulo invertido geralmente possuem como ponto positivo as pernas longas e esguias, favorável ao uso e saias e vestidos mais curtos.

Corpo Triângulo invertido

Descobrir os pontos fortes do corpo e reforçá-los através das roupas ajuda a dar mais confiança para as mulheres e possibilita fugir do padrão inalcançável das modelos de passarela, valorizando as belezas reais do dia a dia e provando que mesmo quem não possui um corpo com o padrão de proporção à la Leonardo da Vinci consegue usar desses recursos para harmonizar a silhueta.

O outro lado da moda através do trabalho escravo em confecções de vestuário

 

A maioria dos estudantes de moda desejam tornar-se grandes estilistas, trabalhar para grandes empresas de roupas e alcançar o sonho de ter a sua própria marca. O glamour das passarelas, da televisão e das revistas mostram apenas o trabalho final de uma coleção e como dito no post anterior sobre os empregos na área de moda, há diversos profissionais trabalhando intensamente para que exista um produto de qualidade para os seus clientes. É possível entender que a empresa lida também com os fornecedores de matéria prima e com as confecções que costuram as peças para serem vendidas nas lojas, ou seja, muitas vezes não há um contato direto entre a marca e seus “parceiros”, apenas um contrato de quantas peças devem ser feitas e o prazo a ser entregue.

No dia 07 de agosto, o programa Profissão Repórter da Globo mostrou o que há por trás de uma calça jeans custar por volta de R$20,00, o funcionamento de diversas confecções em São Paulo e em Pernambuco e como é a distribuição do lucro obtido pela construção da peça. Segundo a reportagem, o preço da calça faz com que a terceirização dos serviços prestados às marcas seja barateado, resultando em baixo lucro e salários insignificantes para a subsistência dos trabalhadores dessas confecções. Cerca de 95% dos que fazem roupa não possuem direitos trabalhistas e muitos desses trabalhadores vivem em condições precárias, enganados com uma proposta de vida melhor em outro país, acabando por viver em um regime semelhante à época da chegada dos imigrantes italianos no Brasil. As condições análogas à servidão por dívidas resulta em horas absurdas de trabalho chegando a 15 horas por dia, a moradias precárias, com muitos dividindo um espaço pequeno sem camas, armários ou saneamento básico e a falta de perspectiva de um futuro melhor.

Muitos lembram do caso que ocorreu em São Paulo de uma famosa marca de roupas que terceirizava os serviços de uma confecção que utilizava mão de obra boliviana considerada escrava. A empresa se ausentou das acusações de favorecer esse tipo de “serviço”, alegando que não tinha responsabilidade sobre os seus fornecedores, já que era um serviço terceirizado. Há também o caso de uma marca de roupas e acessórios esportivos no qual foi comprovada que ela usufruía dos serviços de uma confecção chinesa que usava mão de obra infantil escrava e como o caso anterior, declarou-se inocente de possuir conhecimento sobre a situação, pelo mesmo motivo de ser um serviço terceirizado.

Diante desse lado obscuro da moda, cabe aos atuais e futuros profissionais da área decidir se vale a pena utilizar esse tipo de serviço que segrega os seus trabalhadores à condições degradantes, impedindo-os de sonhar com um futuro melhor. Aos consumidores, deve-se repensar e ter um olhar mais crítico sobre o consumo de determinadas marcas, seja pela grife ou pelo preço das peças.