A literatura e a cultura brasileira através do estilista Ronaldo Fraga

 

A moda no Brasil cresce a cada ano, absorvendo as tendências de outros países e inspirando-se em estilistas internacionais. Muitas dessas inspirações acabam não se encaixando com a cultura e clima do Brasil, levando a um desconforto devido aos tecidos e cores que acabam não agradando. Felizmente há estilistas brasileiros que valorizam a vasta informação cultural que o país oferece e conseguem unir o clima, a literatura e as tradições brasileiras para criar coleções incríveis. Entre esses estilistas está o mineiro Ronaldo Fraga.

Formado em estilismo pela UFMG, tem como características em seus desfiles a presença de temas que envolvam o Brasil nordestino e caboclo, estabelecendo uma linguagem entre a cultura brasileira e o mundo contemporâneo. É conhecido como o estilista cult da moda brasileira devido à poética e história que sempre envolvem as suas coleções.

A literatura e as tradições brasileiras estão presentes em suas criações, envolvendo os textos de Carlos Drummond de Andrade, as histórias do sertão de Guimarães Rosa, as canções de Nora Leão e as bonecas de cerâmica do Jequitinhonha.

Desfile de Ronaldo Fraga em homenagem a Carlos Drummond de Andrade

Desfile do estilista Ronaldo Fraga em homenagem a Guimarães Rosa

Além da marca, o estilista desenvolve projetos de geração de emprego e renda com reafirmação cultural em cooperativas e comunidades ligadas a industrias de confecção. Em 2007 recebeu um prêmio dedicado a personalidades que apoiam a cultura brasileira, fato importantíssimo para a moda no Brasil, que passa a ter um significado de reafirmação cultural.

Na edição da SPFW de 2008 apresentou uma coleção abordando a transposição do rio São Francisco e os problemas ecológicos e sociais causados por ela.

Desfile de Ronaldo Fraga para a SPFW 2008 sobre a transposição do Rio São Francisco

Participou do projeto Talentos do Brasil coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, criado para estimular a troca de conhecimentos entre cooperativas e grupos de artesãs Norte Sul, Leste a Oeste, gerando emprego e agregando valor ao talento artesanal de cada grupo. O estilista mostra que há muito o que encontrar e se inspirar no Brasil, nos mostrando que a moda também está ligada a inclusão social e a preocupação com o meio ambiente.

Ronaldo Fraga ensina para os jovens estilistas que muitas vezes a inspiração está na cidade ou no estado ao lado, bem pertinho e cheio de histórias que rendem uma bela coleção.

 

 

 

 

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A cultura e os significados intrísecos nas joias do deserto

A discussão sobre o significado da beleza é presente no mundo da moda nos mais diversos tópicos, seja com relação ao corpo das modelos, a coleção ou até mesmo a confiança que alguma pessoa possui quando usa uma determinada peça de roupa. Essa visão “ocidental” do que é belo acaba muitas vezes dando a impressão de futilidade, pois há somente o apelo estético e passageiro, que logo é substituída por um novo conceito de beleza.

Indo contra a maré, a exposição Joias do Deserto revela que a beleza puramente estética não é suficiente para criar um adorno, pois o valor de uma joia está no seu significado intrínseco, com sentido religioso, político, histórico e social de cada povo que a usa. Os adornos abrangem as regiões do Deserto do Saara, compreendendo as regiões do Marrocos, Argélia, Mali Níger, Tunísia, Líbia e Egito (até o Sinai, chegando à Palestina); o Deserto da Arábia, Arábia Saudita, Iêmen, Sultanato de Omã e Síria; o Deserto da Ásia Central, Uzbequistão, Turcomenistão e Kazaquistão (passando pelo Irã e chegando ao Afeganistão); o Deserto da Índia, Índia (Rajastão e Gujarat) e Paquistão; e o Deserto Tibetano, Tibete (território autônomo da China) e Ladakh (região divida entre a Índia, Paquistão e China) e o mais interessante é que cada acessório parece contar uma história, e nos faz refletir -e discutir- o real sentido da beleza. As peças são confeccionadas artesanalmente, utilizando tecidos, couros, pedras e metais em prata e ouro, revelando uma riqueza de detalhes e tradições que são passadas de geração a geração.

Exposição Joias do Deserto, da historiadora Thereza Collor

Adorno peitoral do Deserto do Himalaia


Exposição da historiadora Thereza Collor, Joias do Deserto

Colar do Deserto de Thar


Exposição Joias do Deserto, da historiadora Thereza Collor

Tornozeleira do Deserto de Thar


Exposição da historiadora Thereza Collor, Joias do Deserto

Adorno de pescoço do Tibet


A moda requer uma rapidez nas informações e tendências, para gerar interesse do consumidor e girar capital, mas é sempre interessante quando um estilista traz à sua coleção elementos históricos e culturais de países tão diferentes dos ocidentais e reconhece o valor que esses povos dão aos detalhes e aos significados. Buscar referências, pesquisar diferentes etnias e mais importante, estar aberto ao que é diferente do que conhece talvez seja interessante para os profissionais e estudantes de moda, pois tira um pouco da futilidade que muitos agregam a essa carreira.