Antes eram desajeitados, agora são cool: os geeks como parte da moda atual

Os filmes de “Sessão da Tarde” costumam mostrar comédias adolescentes em que há na escola americana dois grupos bem específicos e contrastantes entre si: os alunos populares, com uniformes de futebol americano ou basquete, bonitos e geralmente ricos e os alunos nerds, usando óculos “fundo de garrafa”, com espinhas no rosto, usando calças de cós alto e camiseta pólo. Os nerds eram humilhados pelos populares, sendo trancados em armários, sofrendo agressões físicas e verbais, mas por serem tímidos e geralmente mais fracos não se defendiam.

Essa visão de loser ficou marcada principalmente nas décadas de 80 e 90 com filmes como Namorada de aluguel Te pego lá fora, porém há aproximadamente 20 anos a visão sobre esses adolescentes desajustados começou a mudar. Garotos como Steve Jobs e Bill Gates estavam se apresentando ao mundo com ideias inovadoras e sem medo de ir contra a corrente de uma sociedade cheia de esteriótipos e superficialismo, unido a tecnologia com a comunicação e o design no intuito de facilitar a vida das pessoas e diminuir a distância entre elas.

Atualmente a palavra nerd foi substituída pelo termo geek, que diz respeito à pessoas apaixonadas por tecnologia, usuários assíduos das mídias sociais com o objetivo de trocar informações e muitos buscam ter uma fonte de renda através de startups, tendo sempre em mente a inovação e a criação de recursos que promova a agilidade no cotidiano. Conhecida como Geração Y, esses jovens buscam ser bem sucedidos não só financeiramente mas também na vida pessoal, no qual o trabalho seja também uma diversão e esse comportamento é bem representado pela frase “all work and all play“.

Na moda, os geeks ganharam espaço com roupas ao mesmo tempo certinhas e despojadas, com cardigãs, camisetas com estampas de humor inteligente, tênis e sapato oxford, camisa xadrez e óculos de armação grossa. De nerds passaram a serem notados como pessoas inteligentes e cult, ganhando notoriedade nas revistas de moda e nos seriados como The big bang theory, The Hard Times of RJ Berger e Greek, cujo foco está nos jovens que gostam de tecnologia e possuem uma vestimenta específica.

O mais engraçado é que antes motivo de piada, hoje esses garotos e garotas passaram a ser interessantes e arrancam suspiros da galera considerada “popular”, provando que a inteligência pode sim estar aliada à aparência e que o nerd pode ser cool.

Diferenciando o que está na moda com o que é tendência.

Como pesquisar tendências na moda

Na  moda tudo acontece muito rápido e para acompanhar o ritmo das novidades, as empresas têm que “prever” o que será objeto de desejo do consumidor. A concorrência entre as marcas está por trás de uma indústria que muda constantemente e por isso é preciso conhecer os hábitos do cliente afim de incentivá-lo a desejar algo que sequer sabia que precisava e muitas vezes não precisa, mas o impulso e a atração são tão grandes que o leva a adquirir aquele produto. Para isso, as empresas contam com profissionais que analisam os sinais que a sociedade emite em seus diferentes aspectos (cultural, social e tecnológico) e procuram descobrir como esses comportamentos podem interferir no desejo de consumo. Ao apresentar a cartela de cores, a modelagem e as informações que serão pertinentes mostrar ao público alvo, esse estudo fornece às empresas dados para criar seus produtos, esperando que haja um retorno com o lucro obtido das vendas. Todo esse processo tem a finalidade de propor quais serão as tendências para as próximas estações.

Deve-se ter em mente que, quando os comportamentos antecipados passam para as ruas, não será mais tendência e sim algo que “está na moda”. A moda é um espelho da sociedade, refletindo todos os acontecimentos que envolvem a vida de um grupo – seja histórico ou social – através do vestuário (por exemplo, em tempos de crise, como uma guerra, há um racionamento de tecidos, o que leva as pessoas a usarem roupas mais fechadas e neutras) portanto, ao observar o comportamento do grupo é possível descobrir o que virá a seguir. Analisando e entendendo esses sinais, a empresa pode chegar ao seu público alvo de maneira efetiva e gerar venda. As tendências surgem como uma mudança, algo inovador que será manifestado pouco a pouco através dos formadores de opinião e futuramente será refletida no comportamento do consumidor. Ao realizar uma pesquisa de tendências é preciso estar atento ao comportamento da sociedade, através do convívio em grupo, das mídias sociais, de pesquisas feitas na rua (quem já não foi parado por alguém que perguntou: você pode responder a uma pesquisa?) e através de dinâmicas de grupo, onde há uma discussão a respeito de um determinado tema. O pesquisador de tendências precisa saber analisar as informações com neutralidade e saber destacar o que for mais relevante para o mercado.

Citando exemplos, no dia 16 de novembro de 2011 o site Moda Spot  postou que uma tendência para o verão 2012 seriam os tecidos plissados e no dia 18 de novembro de 2011, o Moda Spot postou que a transparência continuaria sendo uma tendência. Com a chegada do verão 2012, em todas as lojas haviam peças plissadas e transparentes, o que confirmou a tendência citada em 2011, porém, agora é algo que as pessoas tem acesso e passam a usar nas ruas. Ou seja, o que era tendência virou fato.

Desfiles das coleções do verão 2012 das marcas Burberry e Dolce & Gabanna

Unindo moda e tecnologia, quando houve a imersão do Facebook nas mídias sociais e a Apple conseguia fazer com que filas enormes se formassem nas lojas  durante o lançamento de um IPad novo, houve também a valorização dos nerds ou geeks, exposto através de camisetas com estampas de humor inteligente, óculos de armação grossa e eventos de startups e tecnologia que geram grande repercussão nas mídias sociais.

Diante de todo o estudo envolvendo o comportamento humano e os acontecimentos sociais e tecnológicos, cabe a empresa saber usar essas informações em pró da sua própria identidade e saber aplicá-la de moda a atingir efetivamente o seu público alvo, sem se deixar levar apenas pelo mercado e pela concorrência. Da mesma maneira, cabe ao consumidor saber assimilar as novidades e adaptá-las à sua personalidade, permitindo-se comprar uma roupa não só porque está em alta, mas que se sinta bem  e confortável ao usá-la.