O outro lado da moda através do trabalho escravo em confecções de vestuário

 

A maioria dos estudantes de moda desejam tornar-se grandes estilistas, trabalhar para grandes empresas de roupas e alcançar o sonho de ter a sua própria marca. O glamour das passarelas, da televisão e das revistas mostram apenas o trabalho final de uma coleção e como dito no post anterior sobre os empregos na área de moda, há diversos profissionais trabalhando intensamente para que exista um produto de qualidade para os seus clientes. É possível entender que a empresa lida também com os fornecedores de matéria prima e com as confecções que costuram as peças para serem vendidas nas lojas, ou seja, muitas vezes não há um contato direto entre a marca e seus “parceiros”, apenas um contrato de quantas peças devem ser feitas e o prazo a ser entregue.

No dia 07 de agosto, o programa Profissão Repórter da Globo mostrou o que há por trás de uma calça jeans custar por volta de R$20,00, o funcionamento de diversas confecções em São Paulo e em Pernambuco e como é a distribuição do lucro obtido pela construção da peça. Segundo a reportagem, o preço da calça faz com que a terceirização dos serviços prestados às marcas seja barateado, resultando em baixo lucro e salários insignificantes para a subsistência dos trabalhadores dessas confecções. Cerca de 95% dos que fazem roupa não possuem direitos trabalhistas e muitos desses trabalhadores vivem em condições precárias, enganados com uma proposta de vida melhor em outro país, acabando por viver em um regime semelhante à época da chegada dos imigrantes italianos no Brasil. As condições análogas à servidão por dívidas resulta em horas absurdas de trabalho chegando a 15 horas por dia, a moradias precárias, com muitos dividindo um espaço pequeno sem camas, armários ou saneamento básico e a falta de perspectiva de um futuro melhor.

Muitos lembram do caso que ocorreu em São Paulo de uma famosa marca de roupas que terceirizava os serviços de uma confecção que utilizava mão de obra boliviana considerada escrava. A empresa se ausentou das acusações de favorecer esse tipo de “serviço”, alegando que não tinha responsabilidade sobre os seus fornecedores, já que era um serviço terceirizado. Há também o caso de uma marca de roupas e acessórios esportivos no qual foi comprovada que ela usufruía dos serviços de uma confecção chinesa que usava mão de obra infantil escrava e como o caso anterior, declarou-se inocente de possuir conhecimento sobre a situação, pelo mesmo motivo de ser um serviço terceirizado.

Diante desse lado obscuro da moda, cabe aos atuais e futuros profissionais da área decidir se vale a pena utilizar esse tipo de serviço que segrega os seus trabalhadores à condições degradantes, impedindo-os de sonhar com um futuro melhor. Aos consumidores, deve-se repensar e ter um olhar mais crítico sobre o consumo de determinadas marcas, seja pela grife ou pelo preço das peças.

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